Atendendo a diversos aspetos, dos quais se destaca a evolução metodológica na avaliação do desempenho energético, é de extrema relevância a consideração, o mais real possível, do desempenho de todos os componentes do edifício, com especial destaque para os que influenciam o comportamento passivo do mesmo.

Durante a recolha de informação e em especial no contexto de edifícios existentes, o PQ deve procurar recolher a melhor informação disponível, podendo-se basear, nos seguintes elementos:

  • Ficha técnica de habitação (FTH);
  • Projetos de obra (usualmente disponíveis nos municípios);
  • Fichas técnicas dos componentes em avaliação, as quais comprovem o desempenho dos mesmos, nos termos e condições previstas na legislação (normas de ensaios, parâmetros que interessam, entre outros);
  • Evidências fotográficas (relativas à execução de obras no âmbito de um controlo prévio, e/ou fornecidas pelo proprietário, no âmbito de pequenas intervenções);

Nas situações de identificação de isolamento térmico, o PQ deve procurar, dentro das opções acima indicadas, suportar as evidências e soluções a considerar. Caso identifique divergências entre a informação recolhida e as evidências em obra, pode o PQ decidir a abordagem a seguir, sendo no entanto desejável uma contabilização, dessas soluções e na medida do possível, o mais próxima da realidade.

A título de exemplo, considere-se:

  • Informação constante na Ficha técnica da habitação: Reboco + pano de alvenaria de tijolo 11 cm + caixa-de-ar 2 cm + EPS 3cm + pano de alvenaria de tijolo 15 cm + reboco (espessura total de 35cm);
  • Avaliação no local: Parede com uma espessura de ~30cm.

Atendendo à divergência que o PQ identifica, deverá procurar avaliar o desempenho da solução construtiva com base em elementos adicionais, como por exemplo, ITE 50 do LNEC ou outro. Admitindo, por exemplo, que a divergência acima indicada possa estar relacionada com a substituição, durante a obra, do pano de alvenaria de tijolo 15cm por uma solução de 11cm (não atualizada na FTH), deverá procurar o desempenho dessa solução, “estimada”, ao invés de utilizar um valor por defeito (para uma parede de 30cm).

Em resumo, o PQ estará a admitir a existência de isolamento térmico, com base nas condições lhe foram fornecidas (EPS 3cm) e a ajustar o desempenho da solução à realidade construtiva, contribuindo assim para um desempenho nominal do edifício mais próximo do real.

Nas situações em que sejam manifestamente edificadas incoerências e em que o PQ, com base no seu conhecimento e informação disponível, não consiga estimar, com razoável rigor, a constituição da solução, deverá então utilizar valores por defeito.

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